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“” O VÍCIO NA RUA “” [sem abrigo e o projecto MASA]

Novembro 23, 2008

uma fotoReportagem que dispensa aos sabedores o quanto faço muita questão e de copiar na íntegra, sem lamirés da minha escrita fugindo à versatilidade do meu “portfólio profissional blogado”. em especial vai para aquelas pessoas que, como eu genuínas e com algum poder interventivo mesmo que pequenino, têm demonstrado procurar saber e provar a sua boa vontade com sensatez, mesmo patentes para cada qual as dores de cabeça desta “nossa crise do presente em portugal” que já vem de trás, http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=66596&seccaoid=3&tipoid=62, e que tenho fé ainda tocar cá dentro, mesmo que adormecido e a passinhos bem dados circunstancialmente. o meu obrigado aos curiosos na busca revelados nas estatísticas do wordpress. aqui vai para ler pausadamente.

publicada na revista Bons Vícius.

http://www.bonsvicius.net/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1

Andreia Barros Ferreira [texto]

Ana Jesus Ribeiro [fotos]

***

“” São centenas aqueles que todos os dias saem da escuridão das ruas do Porto para fazerem fila nas carrinhas que vão passando á noite com alguns alimentos e roupas para combater a fome e o frio. Acompanhámos duas rondas e conhecemos histórias de pessoas que já não conseguem sair, que perderam quase a identidade e que receiam que os venham buscar. Falam em vício, mas sobretudo procuram afectos. Saímos acompanhados de Daniel Horta Nova, um antigo jornalista que viveu na rua, e que quer criar o MASA, um projecto pioneiro, que não pretende alimentar ou vestir pessoas sem tecto – pelo menos, não só – mas prepará-los para que eles consigam voltar a viver debaixo de um tecto.

” Não me faça isto que se os meus filhos vêem a foto no jornal ainda me vêm buscar “. Estávamos ao lado da Sé do Porto e o homem que corria a fugir da objectiva da Ana Ribeiro, a nossa fotógrafa, é apenas um entre os muitos sem abrigo que estão na rua por quase já não quererem sair dela. Ou por não conseguirem. São pessoas que ficaram sem tecto por vários motivos e que ao fim de algum tempo se foram habituando ao modo de vida que levam. ” Há doentes que destroem a capacidade de socialização, e há pessoas que estruturalmente sempre foram difíceis de integrar. E a esses chamamos personalidades imaturas. Não na área intelectual, porque até podem ser sobredotados, mas na capacidade de integrarem certos valores “, afirma António Palha, director do serviço de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto ( FMUP ).

Será o caso do Sr. Santos. abrigo_sr_santos_1 A viver há seis ou sete anos na rua, recita poemas, fala várias línguas, discute temas da actualidade com a clarividência de poucos, e até toma a iniciativa de pedir à irmã Maria helena, respnsável pelo colégio Nossa Senhora do Rosário ( que também faz rondas pela cidade e a quem nós acompanhamos numa das noites ) colegio_nossa_senhora_do_rosario_team, que lhe arranje um sítio onde ele possa almoçar e jantar. Muda, no entanto, de ideias quando lhe dizem que terá que tomar banho e vestir outra coisa que não seja o fato de treino com que o vêem há cerca de quatro anos. Na verdade, já lhe deram várias vezes roupas, mas ela continua fechada em sacos pretos ao lado da sua cama improvisada com cartão e cobertores. abrigo_sr_santos O caso agrava-se quando Maria Helena lhe fala dos horários das refeições. Ou melhor, lhe volta a falar. Porque ainda há um ano atrás tentaram dar-lhe abrigo num lar de idosos, chegaram mesmo a marcar reuniões, mas o Sr. Santos nunca aparecia. ” Sabe que é o hábito, é difícil sair “, afiança a responsável pelo colégio.

Mas pelas ruas do Porto não vagueiam apenas aqueles que não têm um tecto para se abrigarem durante a noite. sem_abrigo_sofa_na_cidade_comer Há também muitos que procuram nas carrinhas que andam pela cidade uma oportunidade para comer e se agasalharem. Fazem-no por carência afectiva e por terem sido abandonados pela família. ” Venho aqui para falar, só isso “, afirma Emanuel Sousa, um outro sem abrigo, que encontramos numa outra zona problemática da cidade, a Boavista. O álcool que traz no corpo fá-lo inventar estórias sobre o apartamento de luxo onde no seu devaneio mora, , e sobre os filhos que, no seu sonho, vivem com ele. ” Os toxicodependentes e os alcoólicos são uma grande parte do problema “, afirma António Palha. E acrescenta: ” parte dos que estão marginalizadas na rua são pessoas que podíamos etiquetar de doentes mentais “.

Pelas ruas já frias do Porto existem também aqueles que vão às carrinhas por não terem dinheiro para comer. É o caso de Bruno, de 23 anos, desempregado, que vive com a mãe, que foi abandonada pelo marido. Não têm dinheiro para as necessidades básicas e, por isso, ele e a namorada de 19 anos, vêm buscar comida e pedir roupa, que na ronda da noite em que o encontrámos – fizemo-la com a Oxalá – não havia. ” Precisava de uns sapatos e de umas calças “, diz sem a vergonha que a necessidade lhe foi tirando.

Sem abrigo por opção

O problema de Bruno e da namorada será resolvido no dia seguinte, graças ao ainda projecto MASA ( Movimento de Apoio aos Sem Abrigo ), que nos acompanhou também,… “” [ continua no próximo post ]

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ter iniciativa

Outubro 12, 2008

“a fotoreportagem dos grandes veleiros que abrigaram em ílhavo, que vontade tive de explorar para convencer de que valia o esforço de ter iniciativa” saiu ontem publicada na revista NS, notícias sábado, englobada no jornal de notícias e no diário de notícias.

 

e tudo por uma ética profissional, sem “erro informático a assombrar”.

 

“agarrar-me no que me dá pica”. uma ausência positiva.

 

sabem aquele impulso de felicidade quando se atinge o tal feedback, aquele respeito profissional e dizermos, sem querer… “já posso morrer amanhã”?