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“acompanhei tudo isso. e mesmo assim não consigo imaginar a humilhação que sentiu.” [filha de Manuela Estanqueiro]

Abril 10, 2009

para avivar o caso de Manuela Estanqueiro, que foi a docente com leucemia diagnosticado quando era professora da escola básica 2/3 de cacia, aveiro… que foi “obrigada a trabalhar” até às últimas falecendo no dia 2 de junho de 2007 no hospital de viseu… nada mais legítimo do que pelo blog da filha, um exemplo vivo de filha, Teresa Silva, que por tudo passou junto:

http://averdadeacimadetudo.blogspot.com/

caso_tribunal_docente_leucemia_ate_ao_fim_a_justica

entretanto, o caso de Manuela Estanqueiro nasceu para não voltar a repetir-se:

[artigo na íntegra, publicado ontem, dia 10 de abril, no Diário de Notícias; link inacessível do site]

[texto: Pedro Sousa Tavares]

CASO DE PROFESSORA COM CANCRO EM TRIBUNAL

Reforma. caixa geral de aposentações e membros de junta médica processados, com pedido de indemnização de 300 mil euros, por terem obrigado a docente Manuela Estanqueiro a trabalhar meses antes da sua morte, em 2007.

“era eu que a levava à sala. a escola arranjou um professor para a apoiar nas aulas. os colegas tinham que a alimentar, porque não conseguia fazê-lo sozinha. acompanhei tudo isso. e mesmo assim não consigo imaginar a humilhação que sentiu.”

o testemunho é de Teresa Pires, 37 anos. a história que conta é a da sua mãe, a professora Manuela Estanqueiro, que morreu de cancro aos 63 anos, no dia 2 de junho de 2007. o processo judicial, apoiado pelo sindicato dos professores da zona centro, deu entrada há cerca de duas semanas no tribunal administrativo de viseu.

no banco dos réus, numa acção que incluiu pedido de indemnização de 300 mil euros, estarão o estado, através da caixa geral de aposentações (CGA), e os elementos de uma junta médica que, em novembro de 2006, perante um diagnóstico de leucemia mielóide aguda, concluiu que a professora não estava “absoluta e permanentemente incapacitada para o exercício das suas funções”, determinando o seu regresso ao trabalho.

“ela foi à junta numa altura em que os relatórios diziam que a doença estava em remissão total, o que não significava que estivesse curada”, lembra a filha. “aliás, outra junta médica, da direcção regional de educação, tinha-lhe prolongado a baixa médica por 36 meses, o suficiente para chegar à idade normal da reforma.”

mas a decisão da junta médica da CGA teve prevalência.

 

“ANGÚSTIA”

Manuela Estanqueiro foi mesmo “obrigada a trabalhar” entre 15 de janeiro e 14 de fevereiro de 2007, perante a consternação de todos os colegas da escola, até que “viroses sucessivas” a atiraram para os hospitais da universidade de coimbra, de onde já só saiu para passar os últimos dias perto de casa, no hospital de viseu.

“no final, a minha mãe vivia em angústia permanente com a sua situação. chegaram a chamá-la para juntas médicas em lisboa, com ela internada, e dizia que iria nem que fosse de ambulância.”

a aposentação chegou duas semanas antes da sua morte, “quando a junta médica recebeu um relatório, anterior ao tratamento, que lhe dava um a dois anos de vida”.

para Teresa Pires, justiça será “que se fiquem a conhecer os verdadeiros motivos do que se passou, para que não volte a repetir-se”.

o DN contactou o ministério das finanças, que tutela a CGA, mas não foi possível obter uma reacção.

CASOS DITARAM NOVAS REGRAS

a controversa decisão de uma junta médica da caixa geral de aposentações em relação a Manuela Estanqueiro não foi caso único.

em janeiro de 2007, morreu de cancro Artur José Vieira da Silva, um professor de filosofia da secundária Alberto Sampaio, em braga, que tinha sido obrigado a voltar às aulas após uma traqueotomia que o deixara mudo.

nesse mesmo ano foi noticiada outra recusa de reforma a Conceição Marques, uma professora do 1º ciclo com vários cancros, mas essa decisão acabou por ser revista, sendo concedida a reforma.

entretanto, o governo alterou a composição das juntas, que passarão a ser constituidas apenas por médicos, e retirou à CGA qualquer poder decisório nos casos em análise.

mas os sindicatos de professores garantem que continuam a verificar-se casos como estes.

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isto da leucemia ou qualquer outro cancro, uma verdade da qual não se duvida de crucificante, não ser razão para uma aposentação imediata!… mexe com o consciente de qualquer um. a pequena Margarida ainda pergunta pela avó, e viveu algo na barriga da mãe.