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Vítimas seguiam no barco sem coletes

Setembro 28, 2009

Colisão_Lanchas_São Jacinto_1

Colisão_Lanchas_São Jacinto

Os três mortos na colisão entre dois barcos-táxis não tinham coletes quando foram resgatados da água. Uma criança morreu, apesar dos mergulhos do pai para a salvar

As três vítimas mortais, entre as quais uma criança, que resultaram do acidente ocorrido ontem, ao princípio da manhã, na ria de Aveiro, junto a S. Jacinto, foram resgatadas da água sem coletes de salvação, admitindo-se, entre os meios de socorro no local, que, nesta situação, dificilmente os traziam vestidos, como é obrigatório.

Esta é só uma das muitas questões que o inquérito aberto pela Capitania do Porto de Aveiro vai tentar responder para apurar as circunstâncias em que se deu a colisão entre dois barcos boca-aberta licenciados para transporte de pessoas, uma espécie de serviço de táxi marítimo a que os pescadores desportivos recorrem para chegar aos molhes da barra do Porto de Aveiro.

O espesso manto de nevoeiro que cobria a ria de Aveiro desde o meio da madrugada surgiu logo como a causa mais provável, mas não a única, do acidente ocorrido pouco antes das 06.00, que provocou, além dos mortos, ferimentos ligeiros em mais quatro pessoas, uma deles o mestre da lancha que foi abalroada.

O Vera e Cristiana estava a sair para um transporte. Levava, além do mestre, 11 pessoas, de vários grupos de pescadores do Norte do País, que iria deixar nos molhes da Barra do Porto de Aveiro. Um segundo barco regressava ao cais de S. Jacinto com duas pessoas e o skipper, segundo informou a empresa proprietária, a Alquimia do Mar. A lancha de volta à vila piscatória foi abalroar, por estibordo, com a proa, a que seguia rumo aos molhes, voou literalmente e, ao cair, ajudado pelo excesso de água, fê-la adernar, sem ir ao fundo.

A maioria dos passageiros do Vera e Cristiana foram cuspidos borda fora, mas três ficaram debaixo do casco, acabando por ser retirados, por mergulhadores dos Bombeiros Novos de Aveiro. A criança de 12 anos que perdeu a vida tinha sinais de ferimentos graves. O pai tentou, em mergulhos sucessivos, salvá-la.

Entre o momento do alerta e o de chegada dos meios de emergência ao local passaram entre cinco e dez minutos. Houve pânico inicial até serem resgatados os três corpos que estavam sob a embarcação, porque pensou-se que estariam mais pessoas desaparecidas.

Texto de Júlio Almeida e Joana Capucho

Fotos de Ana Jesus Ribeiro

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Sangalhos já tem velódromo

Setembro 12, 2009
Inaug_Velódromo_Sangalhos_Pista

O Velódromo Nacional de Sangalhos – Centro de Alto Rendimento (CAR) foi inaugurado ontem, mostrando reunir todas as condições para a prática de ciclismo de pista, esgrima, judo, ginástica e trampolins.

O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, considera que o CAR de Sangalhos “cumpre de uma só vez vários sonhos antigos do desporto português”.

O Velódromo Nacional compreende a primeira e a única pista coberta para ciclismo em Portugal, de 250 metros de comprimento, inaugurada de forma simbólica por Alves Barbosa, nome sonante do ciclismo nacional, que se destacou por ter sido o primeiro português a vencer a Volta a Portugal.

Alves Barbosa

Alves Barbosa

A infra-estrutura, que representa um investimento global de 12 milhões de euros, inclui ainda um hotel centro de estágio, com 16 quartos duplos, área de restauração, sala de convívio e ginásio.

O complexo recebe hoje e amanhã a 1.ª edição da Taça Ibérica de Pista.

 

Texto de Joana Capucho (fonte: Diário de Notícias)

Foto de Ana Jesus Ribeiro

Maior veleiro do mundo encanta em Aveiro

Setembro 6, 2009
Munfred Hoppe - oficial alemão

Munfred Hoppe - oficial alemão

Estava um sol radioso às 10.00, a ria era um espelho azul e um grande albatroz era novidade na paisagem. De velas recolhidas, estava o russo Sedov, construído em 1920 e considerado o maior veleiro do mundo pelos seus 108,7 metros de comprimento, quatro mastros e capacidade para transportar uma tripulação de cerca de 300 pessoas.

Grupos de jovens, de tronco nu, movimentavam-se um pouco por todo o lado na grande embarcação, atracada no Porto de Aveiro, concelho de Ílhavo. O Sedov interrompeu a viagem entre a Holanda e o Mónaco para matar saudades do porto onde atracou em Setembro de 2008, na Regata dos Grandes Veleiros.

Carlos Sousa e Maria Natália, emigrantes nos EUA, foram os primeiros visitantes. “Viemos a Portugal passar umas férias, demos uma volta pela ria e viemos parar aqui”, explicou o ex-marítimo. Ao contrário deste casal, muitos acabavam por desistir da entrada ao saberem que custava 3 euros.

Subidas as escadas do portaló, Munfred Hoppe, oficial alemão, fez um roteiro ao casal de emigrantes. “O Sedov é um navio-escola para cadetes que ambicionam tornar-se oficiais, mecânicos e especialistas de rádio, mas tem também uma vertente turística”, explicava Munfred Hoppe. Daí os camarins, o espaçoso bar, um museu, a loja de lembranças e uma espaçosa sala de cinema, mordomias que custam ao turista 80 euros por noite.

O Sedov fica atracado até amanhã, podendo ser visitado hoje, entre as 10.00 e as 21.00.

Texto de Joana Capucho
Foto de Ana Jesus Ribeiro

Maior veleiro do mundo volta a atracar em Ílhavo

Setembro 4, 2009

SEDOV

O maior veleiro do mundo, o STS SEDOV, regressa hoje ao município de Ílhavo, depois da sua passagem em Setembro de 2008, no âmbito da Regata dos Grandes Veleiros. O Porto de Aveiro foi o escolhido como porto de paragem da sua viagem entre Delfzijl (na Holanda) e o Mónaco.
O STS SEDOV chega hoje e ficará durante três dias, até segunda-feira. O navio, atracado no Terminal Norte do Porto de Aveiro, vai estar aberto ao público para visitas no sábado e no domingo (dias 5 e 6), entre as 10.00 e as 20.00.
O STS SEDOV é o primeiro veleiro “Classe A” a visitar o município e o Porto de Aveiro desde que, em Março de 2009, o Porto obteve o estatuto de “Friendly Port”, que garante aos grandes veleiros que o visitam condições excepcionais de estadia.

Texto de Joana Capucho

Foto de Ana Jesus Ribeiro

‘Diabinha’ leva praia até à final

Agosto 27, 2009

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“Isto dá muito trabalho”, explicava sorridente a avó de Tomás Birra, enquanto o pequeno artista se empenhava em rasgar as algas que dariam cor aos vulcões que levantava do areal da praia da Barrinha, em Esmoriz, em mais uma edição das Construções na Areia. A névoa matinal não afastou as dezenas de participantes, familiares e veraneantes atentos, empenhados em ver a areia ganhar formas.

A adesão dos jovens do escalão A, dos 6 aos 11 anos, foi grande e, além de esgotarem as inscrições, ocuparam ainda os lugares deixados pelos mais crescidos, do escalão B. A escassos metros do mar que, pela agitação, não convidava a banhos, os jovens davam asas à imaginação. Com o auxílio de baldes de água, pás, pincéis e espátulas, nasciam no areal as habituais esculturas de cavalos-marinhos, tartarugas, sereias, borboletas e castelos.

Mas foi a “diabinha” esculpida por Vânia Santos, de 12 anos, que encantou o júri e que levará a Barrinha até à final, no dia 6 de Setembro. Com uma espátula e uma esponja, a jovem esculpiu minuciosamente uma “diabinha” apetrechada de um tridente e, a seus pés, várias chamas de fogo. “Gosto de diabos, caveiras e essas coisas”, explicou ao DN. O irmão, Tiago Santos, de 8 anos, conquistou pela primeira vez o primeiro lugar do escalão A. “É um caranguejo a tentar apanhar um peixe, mas não consegue porque tem que esticar mais o braço”, diz Tiago.

Inspirada nos pescadores que desde pequena vê naquela praia e que, como faz questão de salientar, “são uma das características da zona”, Bárbara Vaz, de 14 anos, conquistou o segundo lugar do escalão B. Com os materiais de construção nas mãos, os pequenos artistas abandonaram os seus lugares para a fotografia de grupo. O grito final demonstrava o entusiasmo: “Viva as construções na areia”.

Texto de Joana Capucho

Foto de Ana Jesus Ribeiro

Obras da Refer afectam Centro Hípico

Agosto 23, 2009

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No perímetro urbano da cidade de Ovar, no largo 1º de Dezembro instalado numa quinta, funciona o Centro Hípico de Ovar (CHO), empresa criada há 11 anos para ensino de equitação, treinos, manutenção de montadas de particulares (de competição ou recreio) e hipoterapia. Há cerca de um mês, a vida pausada do Centro Hípico foi fortemente perturbada pela agitação de gruas e maquinaria pesada de construção. Era o início das obras de construção de um viaduto sobre a Linha Ferroviária do Norte nessa zona, a cargo da Refer (Rede Ferroviária Nacional) e da Câmara Municipal de Ovar e que atravessa a área do CHO.

As obras vieram alterar o próprio espaço do CHO: os balneários e casa de apoio ficaram separados da valência principal; a área de aves exóticas e outros animais que fazia parte do antigo centro educativo, no início da empresa, vai ser arrasada, tal como 20% da área de dois picadeiros, que perderão funcionalidade, segundo a empresária do CHO, Ruth Henriques.

Da totalidade dos 35 cavalos que viviam no Centro Hípico de Ovar, 10 já foram retirados pelos donos e os restantes têm a sua psicologia alterada perante o ruído, o pó e a azáfama das obras. Para comprovar, o CHO para a imprensa apresenta um relatório médico do veterinário Miguel Viegas: “um estado de stress permanente desemboca em quadros de cólicas agudas e eventualmente morte ou invalidez permanente. Desde que começaram as obras já foram contabilizados três quadros clínicos de cólicas nervosas e um caso de inflamação aguda”. O trabalho de hipoterapia ficou cancelado. “Tínhamos mais de 20 crianças na hipoterapia, de entidades públicas e privadas, mas deixamos de ter condições “, diz Ruth Henriques, que ontem recebeu da Câmara de Ovar a promessa de tentar resolver o problema com a Refer.

Proprietária quer indemnização

Ruth Henriques diz-se a empresária do CHO, mas não a proprietária do terreno que lhe é arrendado. Fonte da Refer disse ao DN que expropria o proprietário do terreno, mas não se propõe indemnizar a CHO. Mas, segundo Ruth Henriques, foi feita uma proposta pela Ferbritas, empresa que processa as expropriações da Refer, em que os donos do CHO receberiam um montante, pago em duas prestações, para transferir a valência para outro local. “A Refer recusou e disse existirem condições para o CHO continuar no local”, acrescentou a empresária de Ovar. Fonte da Refer disse terem sido tomadas providências no sentido de minimizar os efeitos das obras: instalação de vedações nos limites da expropriação, acessos independentes para os utentes do centro e mobilização constante de um equipamento de rega dos solos para evitar o levantamento da poeira.

Texto de Joana Capucho (Fonte: Diário de Notícias)

Foto de Ana Jesus Ribeiro